Tramas e Redes Feministas em Goiânia

O Grupo Transas do Corpo, criado na cidade de Goiânia em 1987,  desenvolve pesquisas e atividades educativas de formação que visam disseminar e fortalecer a luta das mulheres por cidadania, igualdade e justiça.
 
Com apoio do Fundo Fale Sem Medo, o grupo promoveu o curso “Tramas & Redes: feminismos pelo fim da violência contra as mulheres”, uma iniciativa que forneceu formação feminista com foco em violência doméstica para cem mulheres. As beneficiárias formaram um grupo muito heterogêneo: participaram mulheres de diferentes idades, classes sociais, raças/etnias, territórios, escolaridades e orientações sexuais.
 
 
"Nosso objetivo foi capacitar, na modalidade presencial e EAD, cem mulheres, a partir de abordagens teóricas e metodológicas consonantes com o feminismo, oferecendo ferramentas didáticas que permitam a replicação dos conhecimentos adquiridos em contextos diversos – sala de aula, comunidades, associações, universidades, etc", conta Carolina Santos, responsável pelo projeto.
 
No fim do curso, as participantes se organizaram em grupos e desenvolveram produtos finais diversos a partir dos conhecimentos adquiridos: artigos, peças teatrais, vídeos, músicas, dentre outros.  Fechando com chave de ouro, uma Mostra de Artes Feministas reuniu as ações artísticas produzidas pelas participantes.
 
Ludmyla Marques gostou tanto das atividades que pretende continuar as ações com o coletivo que criou no curso: "O curso foi muito bacana para mim. Foi minha primeira experiência com uma formação feminista e foram três meses de muito aprendizado. E foi muito interessante, nesse debate sobre a violência contra a mulher, a gente entender como as nossas histórias se encontram, de uma maneira ou outra. E como é possível estarmos juntas para criar estratégias de transformação dessa realidade. Nós nos dividimos em grupos e cada grupo propôs um trabalho para discutir a violência contra a mulher. O meu grupo escolheu como temática a violência velada. Então nós montamos um coletivo chamado Assistência Feminina e fomos para as ruas. Primeiro nós construímos um fanzine informativo sobre o tema, depois também produzimos poemas e nossa amiga Flávia Carolina fez uma música que se chama "Sai pra lá, Zé!". Nós levamos essa intervenção para a rua, para o terminal rodoviário, para dentro do ônibus que corta a cidade, para a universidade. A receptividade foi muito bacana: o pessoal gostou bastante e houve muita troca. E o processo de finalização está sendo muito gostos: o trabalho que fizemos com o Teatro das Oprimidas e todas as vivências foram muito gratificantes para mim e agora sim eu posso dizer que sou uma feminista, e vou continuar buscando informação. E gostamos também de fazer as intervenções urbanas que queremos continuar, mesmo com a finalização do curso."