´Todos devem se empenhar pelo fim da violência doméstica´

O Fundo Fale Sem Medo é resultado de uma parceria entre o Instituto Avon e o ELAS Fundo de Investimento Social que apoia ações de grupos e organizações da sociedade civil que promovem o enfrentamento da violência contra a mulher. A parceria estratégica para a causa une a experiência com as organizações de mulheres que caracteriza o trabalho do Fundo ELAS ao longo de 16 anos e a força de ação e de arrecadação do Instituto Avon, por meio da campanha global Fale sem medo – não à violência doméstica, que tem direcionado recursos importantes para a causa nos últimos anos.

“Um dos objetivos do Instituto Avon é incentivar outras empresas a se mobilizarem por causas de interesse social, entre elas as que dizem respeito ao empoderamento e o bem-estar da mulher. Acreditamos que para a mudança de cultura necessária para o fim da violência doméstica, todos devem se empenhar”, diz Lírio Cipriani, diretor executivo do Instituto Avon.

Confira entrevista com Lírio sobre os desafios ao enfrentamento da violência doméstica e o papel das empresas na construção da equidade de gênero:

ELAS: Por que o Instituto Avon apoia a luta pelo fim da violência contra a mulher?

Porque a violência contra a mulher é uma das principais barreiras que impedem o empoderamento da mulher. Fazemos parte de uma empresa privada que mais investe financeiramente em ações voltadas exclusivamente para a mulher no Brasil há 130 anos e, enfrentar a violência contra a mulher, é fundamental para seguir transformando a vida das mulheres de diversas partes do mundo. Em seus 13 anos de existência, o Instituto Avon já investiu mais de R$ 20 milhões em projetos relacionados à causa.

ELAS: Além do Fundo Fale Sem Medo, o Instituto Avon atua no enfrentamento à violência com outras ações, como o Fórum Fale Sem Medo e pesquisas. Por que optaram por essa atuação com múltiplos focos?

Para enfrentar um problema tão urgente, desafiador e abrangente quanto a violência contra a mulher, é necessário atuar em diversas frentes ao mesmo tempo, de forma coordenada e estratégica. Por isso, o Instituto Avon definiu quatro pilares de ações: conhecimento, articulação, apoio a projetos e engajamento.

No pilar conhecimento, o Instituto Avon realiza e apoia pesquisas sobre o tema, que são apresentadas durante o Fórum Fale Sem Medo, já reconhecido como um dos principais fóruns de debates sobre o assunto no país.

No pilar de articulação, promovemos espaços de transformação e troca de experiências entre organizações sociais, empresas e poder público e potencializando e aprimorando as políticas públicas relacionadas a causa.

Já no pilar de apoio à projetos, além do investimento no Fundo Fale Sem Medo, que este ano destinou R$3,1 milhões para 34 instituições em todo o Brasil, o Instituto apoia projetos relacionados ao enfrentamento da violência contra a mulher que buscam fortalecer a rede de apoio às mulheres em situação de violência, especialmente relacionados a violência doméstica.

E no pilar engajamento, promove o engajamento com revendedoras e funcionários da companhia. O Instituto também lançará, em 2016, uma grande campanha de sensibilização da população sobre o tema, a exemplo da campanha Linha 180 - A Violência não pode ser Maquiada, lançada em 2015, para divulgar o serviço do Governo Federal de apoio às mulheres em situação de violência.

ELAS: Como o Instituto Avon avalia os 10 anos da Lei Maria da Penha? Comente um pouco as principais conquistas e desafios que se colocam ao enfrentamento legal da violência doméstica.

A Lei Maria da Penha é uma importante conquista da sociedade brasileira, em especial das mulheres, pois encorajou milhares em situação de violência doméstica a denunciarem seus agressores e romperem o ciclo da violência em seus lares. A legislação é considerada pela Organização das Nações Unidas (ONU) uma das três melhores do mundo para o enfrentamento à violência contra as mulheres, pois é responsável por evitar milhares de casos de agressões contra mulheres no país. A pesquisa Percepções dos homens sobre a violência doméstica, realizada pelo Instituto Avon em parceria com o Data Popular, mostra que a sociedade reconhece que a criação de serviços especializados, como delegacias da mulher e casas-abrigo, contribui para diminuir a violência doméstica contra a mulher, mas que ainda há muito desconhecimento sobre o funcionamento da lei e, especialmente, sobre as questões de gênero que a fundamentam. Isso mostra que, apesar de todos os benefícios conquistados por meio da legislação, ainda existe um caminho importante no qual precisamos avançar.

ELAS: Para além dos marcos legais, precisamos de mudanças culturais para alcançar o fim da violência contra a mulher e construir uma sociedade mais justa e com equidade de gênero. De que forma empresas como a Avon podem contribuir com essa construção?

Um dos objetivos do Instituto Avon é incentivar outras empresas a se mobilizarem por causas de interesse social, entre elas as que dizem respeito ao empoderamento e o bem-estar da mulher. Acreditamos que para a mudança de cultura necessária para o fim da violência doméstica, todos devem se empenhar: empresas, governo e toda a sociedade. Utilizando a sua rede de stakeholders e apoiando projetos benéficos para a população, o setor privado tem muito a contribuir para essa mudança cultural e para a ruptura do ciclo de violência contra a mulher.

ELAS:  Vocês pensam em investir no fim da violência também através do campo da educação?

Com certeza, inclusive nós já investimos no desenvolvimento de pesquisas e produção de materiais relevantes para o aprimoramento da causa. No ano passado, o Instituto Avon realizou uma pesquisa com quase dois mil estudantes sobre a violência contra a mulher no ambiente universitário e participamos de diversos debates em universidades com alunos e professores para discutir as agressões e os casos de assédio neste ambiente.

Esse ano estamos apoiando o desenvolvimento de pesquisas relacionadas ao aumento da violência contra as mulheres negras e uma pesquisa sobre equidade de gênero na construção civil. Além disso, estamos construindo em parceria com organizações sociais, uma metodologia para trabalhar com adolescentes e jovens nas escolas.