Mulheres de Axé Mobilizadas contra a Violência Doméstica

O Ilê Omolu Oxum é um espaço de resistência, preservação e valorização da memória cultural afro-brasileira em atividade na Baixada Fluminense desde 1968. Ponto de cultura desde 2009, também realiza projetos sociais e culturais, como oficinas de artesanato, dança e pintura afros e culinária típica.  O terreiro conta ainda com o Memorial Iyá Davina, espaço de pesquisa e documentação, que tem em seu acervo objetos, fotografias, desenhos, certidões e textos referente à religião dos orixás e à formação das primeiras comunidades e terreiros de candomblé no Rio de Janeiro.
 
Com apoio do Fundo Fale Sem Medo, o Ilê Omulu Oxum abraçou também como causa o combate à violência contra a mulher, desenvolvendo o projeto "Mulheres de Axé Mobilizadas contra a Violência Doméstica". Foram realizadas rodas de conversas e oficinas de sensibilização e divulgação dos direitos voltadas para lideranças e integrantes das comunidades de religiões de matriz africana, assim como para gestores públicos locais e organizações dos movimentos de mulheres.
 
Zenita Gloria Duarte do Espírito Santo, 54 anos, moradora de São João de Meriti, foi uma das participantes. "Foi a primeira vez que tive contato com o Ilê Omolu Oxum e foi ótimo. Na região onde vivo tenho muitas vizinhas que sofreram violência: algumas delas eu tive tempo de ajudar, graças ao projeto, outras não. Com uma de minhas colegas não tive tempo de agir: ela foi assassinada pelo marido. Eu não sabia que existia violência verbal e também outros tipos de violência. Aprendi isso e outras coisas e agora posso orientar outras mulheres: 'vamos para a delegacia, você pode dar queixa'. Uma vizinha minha foi agredida pelo marido enquanto estava dormindo. Ele estava com ciúmes e deu uma martelada na cabeça dela. Eu a levei na DEAM e no médico. Ele foi proibido de se aproximar dela.  Além disso há casos de violência que eu vejo na rua, e agora eu sei tomar atitudes nessas situações. Fiquei sabendo do curso através do amigo e aproveitei para levar outras conhecidas. Agora que entendo do assunto posso ajudar outras pessoas, cooperar com mulheres que estão precisando. Até hoje uso materiais que recebi no curso para orientar outras pessoas. Foi muito bom aprender a me defender e poder ser útil para outras mulheres".
 
Zenita passou a frequentar o espaço e levar outras pessoas: "Desde que participei do projeto, eu mantenho contato com o Ilê Omolu Oxum, já participei de atividades de outros tipos, como oficinas de artesanato, culinária, palestra sobre doenças sexualmente transmissíveis... Sempre me ligam e eu vou, e também convido outras pessoas".
 
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