Flores de Dan: comunicação e cultura pelas mulheres

O Instituto de Mulheres Negras Flores de Dan luta por direitos humanos em Salvador desde 2004. São comunicadoras que realizam ações nas áreas de comunicação e cultura para mulheres pobres, associações e redes feministas da Bahia. O objetivo é fornecer ferramentas de comunicação para que as mulheres utilizem a favor de suas causas e lutas: capacitar mulheres em técnicas de rádio, web, TV e design, para disseminar valores antissexistas e antirracistas.
 
Com apoio do Fundo Fale Sem Medo, as mulheres do Flores de Dan produziram o programa de TV #Eeucomisso?, com a finalidade de dar visibilidade às ações de combate à violência contra a mulher promovidas por diversos grupos da Bahia.
 
Janaina Lopes, 27 anos, conhecida como Mia, participou do projeto e conta que a experiência foi muito enriquecedora: “Eu participei de todo o processo de produção dos vídeos, nós gravamos depoimentos de mulheres muito diversas. Foi muito marcante conviver um pouco com elas e conhecer suas histórias. Presenciar mulheres compartilhando algumas coisas tão íntimas foi muito forte. Conhecemos histórias de pessoas que passaram por vários tipos de violências – e muitas delas nem sabiam que eram vítimas".
 
"A partir do projeto também pude confrontar experiências escutadas com minhas próprias experiências, e assim rever ideias e posicionamentos. Ouvimos por exemplo uma cadeirante que contou que todos a tratam como criança, sempre a infantilizando. Isso foi muito forte porque nós percebemos que fazemos mesmo isso, e vimos o quanto isso pode ser negativo, opressivo para a pessoa. As deficientes não são coitadas, muito menos infantis, não podemos trata-las assim. O projeto me fez pensar também sobre o trabalho doméstico e essa ideia de que a pessoa “é como se fosse da família”. Percebi que não, a pessoa nunca é da família e precisamos estar atentos para que ela não sofra constrangimentos – que os familiares não sofrem. Tenho feito mais o exercício de me colocar no lugar do outro. Esse processo todo foi muito enriquecedor", explicou Mia.
 
Para Mia, a discussão sobre violência contra a mulher precisa chegar a um público maior. "Muitas mulheres têm dificuldade de falar porque têm medo de se expor. Das que falam, muitas não sabem o que é violência. Quando fazíamos as perguntas na entrevista, elas perguntavam: “ué, mas isso é violência?”. Achavam que violência era apenas agressão física, e muitas tomavam um susto, porque não tinham pensado nisso. No projeto, entendemos a violência como algo muito mais amplo. Se a mulher costuma ouvir, por exemplo, “você é burra”, como muitas ouvem, estão sofrendo violência também, por exemplo".
 
 
Saiba mais sobre o Flores de Dan: http://floresdedan.blogspot.com.br/