Expandindo a rede de combate à violência contra mulheres

Com o projeto “Expandindo a rede de combate à violência contra mulheres no Brasil”, apoiado pelo Fundo Fale Sem Medo, o Geledés buscou impulsionar uma rede estadual de promotoras legais populares em São Paulo e no Rio Grande do Sul. As promotoras legais populares (PLPs) são agentes cruciais e estratégicas no combate à violência doméstica: são mulheres líderes capazes de dar orientação sobre questões do cotidiano (violações de direitos, ameaças, violência doméstica, etc.), para outras pessoas que necessitam de reconhecimento e apoio para enfrentar dificuldades. As PLPs criam condições para que outras mulheres conheçam direitos, leis e mecanismos jurídicos, tornando-as capazes de tomar iniciativas e decisões no sentido do acesso à justiça e da defesa dos direitos humanos. 
 
O apoio do Fundo Fale Sem Medo permitiu que o Geledés, que desde 1988 se dedica à luta contra o racismo e o sexismo, realizasse cursos de formação de novas promotoras e também mapeasse as promotoras legais populares atuantes nos estados de São Paulo e Rio Grande do Sul. Esse mapeamento foi um importante subsídios para o PLP 2.0, um aplicativo para celulares que pretende ativar uma rede de proteção em torno de mulheres que estão sob a guarida de medidas protetivas contra seus agressores. Idealizado pelo Geledés em parceria com a Themis, o aplicativo dispara um torpedo para a Brigada Militar quatros segundos após ser acionado. Assim que o mecanismo é acionado, a Patrulha da Maria da Penha também é avisada, bem como as promotoras populares legais da comunidade. Além da rede de segurança acionada, o mecanismo grava imagens de agressões e capta o áudio.
 
Rosa da Penha, 43 anos, foi uma das mulheres capacitadas pelo projeto. "Fiz o curso que o Geledés ofereceu no hospital onde trabalho, e criamos um núcleo de atendimento às vítimas de violência doméstica. Eu conheci o Geledés através desse curso, que me influenciou muito: foram muitas aulas que permitiram que nós nos empoderássemos das leis. Com o curso nós descobrimos que tem muitas coisas que não sabíamos, não tínhamos noção dos nossos direitos, da Lei Maria da Penha. Depois disso fiquei bem mais preparada para tomar atitudes e ajudar outras mulheres em situações de risco".
 
"No hospital onde trabalho chegam muitas mulheres agredidas, que são encaminhadas para a gente. Mesmo que poucas saiam do ciclo de violência, poder ajudá-las é um passo enorme.  Nós acompanhamos seus casos, mandamos para as casas de apoio, encaminhamos para a delegacia, estimulamos a fazer cursos, estudar", conta Rosa. "Essa rede é um grande avanço, vai ajudar muito na proteção das mulheres", acredita Rosa. "Na minha turma foram 27 mulheres formadas pelo Geledés. É um trabalho maravilhoso, muito gratificante, daqui pra frente queremos fazer sempre mais e multiplicar nossos conhecimentos".
 
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