Estudantes engajadas pelo fim da violência doméstica

O novo edital do Fundo Fale Sem Medo, terceiro da parceria entre o Fundo ELAS e o Instituto Avon, está levando a discussão sobre a violência doméstica para escolas e universidades de diversas cidades brasileiras.  Com a atual edição, o Fundo Fale Sem Medo amplia seu alcance e capilaridade, atingindo também novos públicos, como estudantes secundaristas e universitárias/os.

As atividades do Elas que São Elas!, grupo de alunas da Universidade Vila Velha, no Espírito Santo, já estão dando o que falar entre as alunas e alunos da universidade capixaba. Desde o mês de março elas organizam um encontro mensal, chamado de “Terça-feira feminista”, com apresentação de filmes, exposições, rodas de conversas e debates sobre violência contra mulheres, especialmente violência doméstica e sexual contra mulheres jovens.

No dia 8 de março a estreia do projeto se deu com a exibição do filme “As sufragistas”. No dia 19 de abril elas promoveram o encontro “Conversando sobre cultura e violência”, com a participação dos grupos de jovens artistas locais Preta Roots, Melanina MCs e Grafiteiras do FEME – Festival de Mulheres no Graffiti/ES. No dia 10 de maio foi a vez da Roda de Conversa sobre a Rede de Atendimento à Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar”, com a participação de representantes da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher, do Núcleo de Enfrentamento à Violência Doméstica contra a Mulher do Espírito Santo e da Casa Abrigo.

Os encontros, que têm lotado o anfiteatro do curso de Direito, seguem até o mês de novembro. Um dos frutos do projeto já é a criação de um novo coletivo comprometido com  o fim da violência de gênero e a discriminação por orientação sexual e identidade de gênero.  Inspirados no Elas Que São Elas, alunas e alunos da Universidade Vila Velha criaram o grupo Empoderades, que reúne mais de 60 alunos de todos os cursos para discutir diversidade e direitos da população LGBT. No dia 18 de maio eles realizaram o primeiro Dia da Diversidade da UVV.

O Fundo Fale Sem Medo também chegou às universidades do Sul do Brasil. A Caravana do Gemis - Gênero, Mídia e Sexualidade já botou o pé na estrada.  A Caravana de debates sobre mídia, gênero e suas intersecções com classe, raça e sexualidade pelas faculdades de jornalismo do Rio Grande do Sul  visa contribuir para as discussões a respeito da violência contra as mulheres entre os estudantes de jornalismo do estado.

“A iniciativa seguirá uma proposta de ação de debate que tem sido realizada pelo grupo desde setembro de 2014: a discussão sobre a responsabilidade dos comunicadores na construção de narrativas midiáticas a respeito de gênero. Estas narrativas desiguais têm sido responsáveis por estimular uma cultura que culpabiliza vítimas de violência doméstica e individualiza agressões que fazem  parte de um sistema cultural machista e misógino”, explica Pâmela Stocker, responsável pelo projeto.

Ao longo dos próximos meses a Caravana Gemis levará palestras e oficinas sobre gênero a 15 faculdades de Comunicação do Rio Grande do Sul para discutir a responsabilidade do jornalismo na produção de sentidos sobre a violência de gênero, o machismo e a violência doméstica. A estreia foi no dia 11 de maio, na Universidade Feevale, em Novo Hamburgo.

 

Já em Bragança Paulista, São Paulo, são as alunas de ensino médio que estão puxando o debate pelo fim da violência doméstica. Reunidas no Grupo Quitéria elas estão desenvolvendo o projeto Só um tapinha?, voltado para jovens de 13 a 17 anos, que capacita grêmios estudantis da cidade para atuarem na luta pelo fim da violência doméstica e de gênero. 

“O “Só um tapinha?” foi criado para colaborar com  a criação de uma visão de relacionamento igualitária a partir dos jovens,  contribuindo para a redução do índice de violência de gênero”, diz Jaqueline de Sousa, estudante de 16 anos responsável pelo projeto. O objetivo é estimular o debate sobre violência de gênero, apresentar a Lei Maria da Penha e as formas de violência doméstica e transformar adolescentes em multiplicadores de informação.

A escola e a universidade são espaços estratégicos para a desconstrução de conceitos preestabelecidos e a promoção da equidade e da transformação social. Por isso, o Fundo ELAS e o Instituto Avon consideram fundamental apoiar projetos pelo fim da violência doméstica nesses espaços, mobilizando cada vez mais alunas e alunos.