Direitos das mulheres na mídia

O Instituto Patrícia Galvão, fundado em 2001, uma das primeiras organizações feministas no país a atuar no campo dos direitos das mulheres através da imprensa, foi um dos 31 grupos apoiados pelo Fundo Fale Sem Medo. O Instituto busca contribuir para a qualificação da cobertura jornalística sobre questões que envolvam violações dos direitos das mulheres brasileiras, a fim de influenciar o debate público para demandar respostas do Estado, mudanças na sociedade e na própria mídia.
 
Com o projeto “Por uma cobertura jornalística contextualizada, crítica e aprofundada sobre violência contra as mulheres e a aplicação da Lei Maria da Penha”, o Instituto Patrícia Galvão realizou uma pesquisa de fôlego que resultou no Dossiê Violência Contra as Mulheres.
 
A pesquisa mostrou que o tema está em pauta na mídia, mas que é divulgado sem a devida contextualização. O Dossiê é um passo para ampliar e aprofundar o debate sobre o tema nos meios de comunicação tradicionais e nas mídias sociais por meio da compilação, sistematização e disponibilização de dados oficiais e pesquisas de percepção, além de informações relevantes e análises de especialistas sobre a realidade do problema no Brasil.
 
“É extremamente importante mostrar o problema, o tamanho dele por meio de números atualizados, mostrar os serviços de defesa da mulher e as leis que protegem os nossos direitos” afirma Patrícia Zaidan, editora da Revista Cláudia. 
 
No Dossiê, disponível online, profissionais de imprensa e ativistas digitais encontram um conteúdo multimídia diversificado, preciso, confiável e atualizado na forma de dados, fatos e pesquisas, além de indicações de fontes qualificadas de diversas áreas do conhecimento que atuam com o tema da violência contra as mulheres.As informações serão atualizadas constantemente, e  também serão acrescidos capítulos sobre outras dimensões da violência baseada em desigualdades de gênero.
 
Djamila Ribeiro, jornalista, pesquisadora e colunista da Carta Capital, destaca o ineditismo e a relevância do projeto: “O dossiê é muito importante porque fornece informações úteis para jornalistas em geral e para nós, feministas que trabalhamos com blogs e mídias sociais. Agora temos um material confiável para passar para a população. E o mais interessante é que o dossiê contemplou a diversidade de mulheres, é uma pesquisa que não fala das mulheres no geral – afinal, quem são essas mulheres no geral? É preciso falar das mulheres em suas particularidades, das mulheres negras, lésbicas, trabalhar com a questão das interseccionalidades".
 
"A mídia tem um poder muito grande de descontruir estereótipos e transformar a visão do público. Só que, infelizmente, de maneira geral a mídia acaba reforçando estereótipos no que diz respeito à violência contra a mulher. Geralmente esse tipo de violência é encarada como crime passional, sem levar em conta o machismo estrutural das relações. Muitas vezes os jornalistas dizem que não têm informações aprofundadas para abordar a violência contra as mulheres. O dossiê vem para acabar com essa desculpa. Ele fornece subsídios não só para que os jornalistas possam fazer matérias e desenvolver pautas para visibilizar o assunto mas também combater a lógica da opressão e conscientizar a população sobre esse grave problema”, diz Djamila.
 
O dossiê conta ainda com ferramenta de busca facilitada e apresenta mais de cem nomes de fontes – especialistas que podem ser consultados e entrevistados. Acesse: http://www.agenciapatriciagalvao.org.br/dossie/