Transmulheridades na Moda e Sem Violência - Produção em Moda e Empreendedorismo - Elas na Moda

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Transmulheridades na Moda e Sem Violência - Produção em Moda e Empreendedorismo

03/04/2020



Pensar como futuras empreendedoras. Buscar mais aprendizados e retornar aos estudos. Resgatar cidadania, dignidade e empoderamento pessoal. Enxergar novas possibilidades além das ruas e esquinas. Não reproduzir práticas de trabalho análogo à escravidão. Ter autonomia. Respeitar as diferenças. Viver a sororidade.

Mais do que belas palavras, essa tem sido a prática do projeto Transmulheridades na Moda e Sem Violência. A iniciativa do Capacitrans RJ tem apoio do Fundo ELAS e da Laudes Fundation (Instituto C&A) para qualificar pessoas Trans e LGBIs para o mercado de trabalho e para a construção de seus próprios empreendimentos na área da moda.

Os cursos de costura, modelagem e reaproveitamento de vestuários também têm se mostrado como uma oportunidade para conscientização sobre direitos e empoderamento de pessoas trans e travestis do Rio de Janeiro – população vulnerabilizada, estigmatizada e alvo das mais diversas violências.

O Capacitrans RJ é a primeira pré-aceleradora e incubadora de negócios de pessoas trans e travestis do Brasil. O projeto possibilita ainda que, a partir do empoderamento, elas se percebam também como contratantes de outras mulheres trans, travestis e inclusive CIS em seus projetos de empresa.

Além disso, algumas empresas começam a reconhecer o Capacitrans como referência para indicações de Mulheres Trans e Travestis para serem contratadas em suas equipes.

Ao criar bases de acolhimento, de oportunidades e alianças profissionais através do diálogo com parceiras, o projeto vem quebrando ciclos de opressão e a cobrança padrões de beleza moldado nas pessoas CIS (aquelas cuja identidade de gênero corresponde ao sexo biológico com o qual nasceram). A diversidade de corpos, raças, etnias, condições físicas e sociais trazidas à tona nas aulas contribui para que deixem de romantizar padronizações de ideais de beleza impostos pela sociedade.

Sobre a importância do Diálogo ELAS na Moda e Sem Violência e de pautar o protagonismo das trans na moda junto a grupos de mulheres de todo o país, a coordenadora do Capacitrans RJ, Andrea Brazil, diz: “Quando pensamos em moda como aliada no combate à violência às mulheres, nossa luta é constante, diária e inseparável. Ensinando as manas Trans e em parcerias com as mulheres Cis, pensamos em geração de renda coletiva. Onde ficamos mais unidas, nós por nós, provamos para todes que somos capazes.”

Produzindo moda e costurando alianças


As aulas práticas de modelagem, corte e costura e produção de moda são intercaladas com palestras de voluntáries que estão se formando em Moda, ampliando o universo das alunas. Além disso, precificação, leis, obrigações e atitudes empreendedoras individuais e coletivas também fazem parte do conteúdo.

Em janeiro deste ano, Transmulheridades na Moda e Sem Violência promoveu a Roda de Conversa “Moda e Empreendedorismo como Combate a Violências”. A ação pelo Dia da Visibilidade Trans aconteceu no CEDIM – Conselho Estadual dos Direitos da Mulher do Rio de Janeiro e reuniu alunas, convidades e a coordenação do CEDIM.


O convite por parte da Secretaria de DIVERSIDADE- Rio sem LGBTFobia do estado do Rio de Janeiro e convites para Audiências Públicas com deputados e parlamentares são reflexo dessa visibilidade positiva conquistada pelo projeto – espaços nos quais o Capacitrans RJ pode falar de Políticas Públicas de fato e busca de oportunidades no combate a transfobias institucionais e cobrar o cumprimento de leis, desde o direito ao uso de banheiros públicos, assim como da equidade para mulheres trans em outros espaços.

Parcerias com o Coletivo Casa Nem e Transrevolução, Grupo Pela Vidda RJ, Conselho Estadual de Direitos da Mulher (CEDIM-RJ), Paróquia Anglicana São Lucas em Copacabana são fundamentais para o sucesso do trabalho. As Vestes Litúrgicas feitas pela equipe de alunas formandas geram renda para a equipe e já são vendidas para o exterior.

A parceria com a CASAMOR, em Sergipe, resultou na palestra sobre Como o Capacitrans RJ e a Moda podem Salvar Vidas Trans. O projeto recebeu convite para dar Consultoria e para levar o Capacitrans RJ para Tocantins e São Paulo.

Já são mais de 50 pessoas em fila de espera para novos cursos e 15 vagas foram abertas com outros recursos conquistados pelo projeto.

A iniciativa inspiradora virou TCC da publicitária Alice Rodrigues.

Algumas alunas já começaram a comprar seus maquinários, planejar seus MEIs para se tornarem microempresárias individuas, mas sempre pensando em equipe.

Apesar do isolamento social como medida de segurança e proteção contra o COVID-19, o ânimo e o foco têm sido mantidos com aulas por WhatsApp, compartilhamento de vídeos e conteúdos que seriam praticados em aulas presenciais e as mais vulneráveis estão recebendo cestas básicas.

Ainda há muito o que ser feito para a conquista da equidade de pessoas trans e travestis, mas segundo a coordenadora do projeto, Andrea Brazil, “Elas estão se PERMITINDO SONHAR e CONCRETIZAR”.

www.capacitransrj.com.br