TRANSformar e ressignificar a moda - Elas na Moda

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TRANSformar e ressignificar a moda

08/09/2020


O Projeto Elxs por Elxs, do Ateliê TRANSmoras rompe com as estruturas imagéticas sobre a moda, a partir do fortalecimento de uma rede de criação coletiva com oficinas, produção e realização de desfile, comercialização em redes sociais.

De acordo com Vicenta Perrota, responsável pela coordenação do projeto, para romper com essas estruturas, é preciso desconstruir, o binarismo de gênero (que só enxerga o feminino ou o masculino), a gordofobia, o machismo, o racismo, o racismo, além, claro, a LGBTQIfobia. A proposta é assumir um compromisso com a sustentabilidade e também com o empoderamento dos corpos que têm sido desprezados pela sociedade.

A Articulação com o festival digital MARSHA! e Centro Cultural São Paulo, foi uma forma encontrada de geração de renda para artistas, produtoras, que contou também com a distribuição de cestas básicas para pessoas trans em vulnerabilidade em meio pandemia Covid-19. A Coletividade MARSHA! é um movimento socio-cultural que promove ações afirmativas para a comunidade LGBT desde 2018 na cidade de São Paulo. O nome é uma homenagem à líder da revolta de Stonewall, mulher trans e ícone da resistência LGBT no mundo, Marsha P. Jhonson.

Em uma articulação com o Projeto Casa Chama, um espaço coletivo de cuidados LGBTQI+, o Ateliê TRANSmoras se tornou um ponto de redistribuição de cestas básicas, catalogando e fazendo a logística das entregas das cestas a pessoas trans da região.

Uma outra forma de tentar minimizar o impacto causado pela pandemia sobre a comunidade TRANS, foi a decisão do coletivo de disponibilizar a 1º edição do Jornal Travesti VIVA! em formato digital e movimentou revendedoras trans que divulgaram e venderam a versão digital, recebendo uma comissão de 80% da venda.

Reafirmando o compromisso com a sustentabilidade, Vicenta Perrota promoveu a facilitação da oficina de corte e costura com foco em reaproveitamento de materiais: LOOKS PARA O PÓS-APOCALYPSE - MARSHA! ENTRA NO CCSP. Além disso, quatro artistas residentes do Ateliê TRANSmoras participaram de uma exposição online dentro da plataforma digital do Centro Cultural São Paulo.

A Rede TRANSmoras, apoiada pelo ELAS e Laudes Foundation no Edital ELAS na Moda e Sem Violência, realizou 9 workshops “Jornada do Cliente”, de maneira individual, onde muitas das participantes puderam se pensar enquanto empreendedoras pela primeira vez. A Plataforma digital do Ateliê TRANSmoras, funciona como um espaço coletivo para venda e exposição de trabalhos artísticos realizados pelas integrantes da rede.

O Mês da Ressignificação: Autonomia TRANS! surgiu como mais uma estratégia de empoderamento econômico da comunidade trans. Durante o mês de julho aconteceram oficinas, mentorias e atividades voltadas à rede de artistas e empreendedoras que compõem o Ateliê, subsidiando conhecimentos que foram mapeados em conversas e workshop.

O programa de mentoria foi um processo complementar de formação, onde as integrantes da rede puderam trocar experiências com artistas e profissionais. Dezesseis pessoas trans/travestis de seis estados diferentes se conectaram a esse time de facilitação para partilhar conhecimentos e técnicas, a fim de impulsionar os projetos individuais e coletivos da Rede Ateliê TRANSmoras.

O Projeto Semente promete uma mudança política e econômica ao promover um curso para costureiras TRANS com foco na autonomia criativa. O projeto dentro do projeto Elxs por Elxs une dez costureiras trans produzindo duas peças cada, seguindo um modelo proposto pela artista Vicenta Perrotta. O objetivo é promover a circulação de renda entre todas participantes, incluindo produtoras, fotógrafa e designer.

Motivo de grande felicidade para o Ateliê TRANSmoras foi a seleção de Maria Letícia, a Manauara Clandestina, para uma residência artística em Londres. Uma sessão de fotos produzidas no Ateliê contribuiu com a seleção da artista.