Ter Direito é Direito - Elas na Moda

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Ter Direito é Direito

09/04/2020


Costurando fortalecimento da categoria, sustentabilidade, saúde e cuidado


No Brasil, o trabalho doméstico é feito majoritariamente por mulheres de baixa renda e pouca escolaridade e as mulheres negras representam mais de 60% da categoria. De acordo com o IBGE, no estado do Rio de Janeiro, são 533 mil profissionais, sendo 385 mil na Região Metropolitana.

É nesse contexto que nasce o projeto Ter Direito É Direito, do Sindicato dos Trabalhadores Domésticos do Município do Rio de Janeiro. O objetivo é promover um curso de costura, enquanto fortalecimento a categoria através de encontros com rodas de conversas com especialistas sobre saúde e autoestima, leis trabalhistas e outros temas.

O Sindicato – que tem 12 mulheres na diretoria - é um espaço de formação profissional e política para o empoderamento de trabalhadoras domésticas, e promove reflexões sobre formas de explorações e violências no trabalho e na vida cotidiana.

O projeto apoiado pelo ELAS e Laudes Foundation (Instituto C&A) a partir do edital ELAS na Moda e Sem Violência traz a costura como alternativa de sustentabilidade financeira, possibilitando que as trabalhadoras optem por outros meios de geração de renda.

Para Maria Izabel Monteiro, coordenadora do projeto, a participação no II Diálogo ELAS na Moda e Sem Violência foi importante para a organização do curso: “O dialogo nos favoreceu muito, dividimos experiências com outras pessoas que já tinham experiências no mundo da moda. ”


Maria Izabel Monteiro no II Diálogo ELAS na Moda e Sem Violência

As mobilizações do projeto – divulgação, busca de outras parcerias, apoio e doações, seja nas redes sociais ou em reuniões e eventos presenciais - além da visibilidade e da procura por parte de trabalhadoras domésticas, renderam ao projeto a doação de duas máquinas de costura e o envolvimento de mulheres outras profissões em apoio às ações.


As aulas para confecção de bolsas, necessaires e jogos americanos, ministradas por duas costureiras que também são trabalhadoras domésticas e atualmente trabalham de diaristas em casas de família. Essas trocas despertam as aptidões artísticas, ao mesmo tempo que despertam a consciência da importância do sindicato como espaço de acolhimento. As atividades de costura são intercaladas com palestras sobre saúde e autoestima e jogos aplicados pelo grupo de teatro Marias do Brasil - grupo de mulheres trabalhadoras domésticas que utilizam a metodologia do Teatro do Oprimido para debater leis trabalhistas e formas de violências vividas por mulheres, dentro e fora dos locais de trabalho.

Apesar do entusiasmo das alunas, das costureiras e da diretoria do Sindicato, a pandemia do Coronavírus levou à interrupção das atividades presenciais, e a realidade da categoria não possibilita a continuidade pela internet.

O Sindicato dos Trabalhadores Domésticos do Município do Rio de Janeiro iniciou uma campanha nas redes sociais para incentivar empregadores a dispensarem temporariamente suas funcionárias, sem suspender os pagamentos. A partir de um vídeo publicado pela presidenta do Sindicato, Maria Izabel Monteiro, a campanha ganhou dimensão nacional. O vídeo teve mais de 150 mil visualizações e mais de 12 mil curtidas. Mesmo assim, o sindicato recebeu muitas ligações de empregadores reclamando.

Enquanto durar a quarentena, as costureiras seguem criando novos modelitos em casa para ter muitas novidades quando as aulas voltarem, reciclando tecidos como jeans, retalhos de outras roupas, etc.

Cleusa Lopes, costureira do curso, conta que a descoberta da funcionalidade do sindicato foi muito importante e “estar com outras mulheres que estão na mesma profissão fazendo estas trocas de experiências é estimulante! Já houve até combinados de, ao término deste curso, darmos continuidade fazendo outras atividades.

Para Josefa Faustino, uma das diretoras do Sindicato, “O reencontro com a categoria demonstrou que além de cuidar da instituição com o mesmo cuidado que cuidamos da nossa própria casa, devemos cuidar da categoria como cuidamos das nossas famílias.