Rede Feminina Preta de Moda Afro se fortalece na pandemia - Elas na Moda

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Rede Feminina Preta de Moda Afro se fortalece na pandemia

07/09/2020


O projeto Rede Feminina Preta de Moda Afro, do coletivo Meninas de Lenço, de Volta Redonda, no Rio de Janeiro, capacita mulheres negras em situação de vulnerabilidade para geração de renda, tendo a moda como base para o empoderamento social.

A partir de com oficinas de corte e costura; acessórios, turbantes e tranças; gestão, moda afro e criação de estampas; intercâmbio com grupos de mulheres de outras cidades; feira, exposição fotográfica e desfile de moda afro, o grupo iniciou a proposta apoiada pelo ELAS e Laudes Foundation.

O trabalho ia a todo vapor antes da pandemia. O grupo trabalhava a questão da estética afro, e havia conseguido uma voluntária para ensinar maquiagem para pele negra. Uma liderança quilombola da região, junto com as mulheres que participavam das capacitações, estava se organizando para abrir um espaço no centro da na cidade para trabalhar amarração de turbantes e tranças. Elas estavam muito empolgadas.

Mas com a chegada da pandemia, adaptações precisaram ser feitas. Uma das principais foi no Quilombo de Santana, em Quatis, pois a situação de saúde é precária e as integrantes do coletivo são grupo de risco.

“ A gente não vai parar com os nossos sonhos. A gente só adiou por uns meses”, afirma a coordenadora das Meninas de Lenço, Renata Ferreira.

O curso de corte e costura, por exemplo, que era para ser presencial, está sendo online, assim como as reuniões e capacitações específicas. Ampliaram o olhar e passaram a fazer muitas lives, com muitos convidados.

E como o momento também é de solidariedade, conseguiram parcerias para ações de atendimento às pessoas em situação de mais vulnerabilidade.

Produziram muitas máscaras. E em parceria com alguns professores da Universidade de Volta Redonda, conseguiram muitos produtos de limpeza que se somaram aos kits de higiene, atendendo 21 famílias.

O grupo Meninas de Lenço nasceu a partir da necessidade de fortalecimento de mulheres que tiveram câncer e perderam seus cabelos após passar por tratamento, portanto, a solidariedade já fazia parte de sua essência.

As doações mensais para às mulheres quilombolas e suas famílias se deram a partir das necessidades apontadas por elas. Na parceria com a Secretaria de Educação, através da diretora da Escola Municipal Quilombola de Santana Irmã Elizabeth Alves, distribuíram cestas básicas com kit para crianças – biscoito, leite, frutas, máscaras e álcool em gel. Com o Grupo de Apoio a Pessoas com Câncer, conseguiram fraldas e máscaras; com a Casa de Axé local, articularam as aulas de corte e costura online e em parceria com um coletivo de mulheres de Barra do Piraí, atenderam moradoras em situação de rua com a distribuição de máscaras e absorventes higiênicos.

“A gente se voltou muito pra dentro também, e a nossa rede aumentou nessa situação. A gente primeiro pensou no nosso cuidado, porque quando a gente se cuida, cuida dos nossos. Foi como se eu tivesse voltado lá em 2003, quando eu descobri que eu tive câncer. A gente se fortalecer muito! Desse limão amargo dessa pandemia, a gente tá fazendo uma limonada suíça! ”

Além de continuar produzindo muitas máscaras, a preocupação era com a necessidade de geração de renda para as afroempreendedoras. Foi então que decidiram levar a feira para o universo virtual. A iniciativa foi bem-sucedida e chegou a ser matéria do Globo Comunidade, da TV Globo, como ideia inovadora nesses tempos de pandemia.

O grupo, que agora se chama Coletivo Mina Preta, investiu em lives com grandes nomes da moda para debater moda afro, gênero, tendências, saúde mental do povo preto durante a pandemia e tem proporcionado um grande aprendizado para as mulheres do projeto.

E a ideia de dar visibilidade a essas afroempreendedoras do interior tem dado bons frutos: Isaac Silva, grande nome da moda, em uma live com o grupo afirmou que assim que passar a pandemia quer conhecer de perto trabalho e quer o que o grupo mande a coleção para sua loja em São Paulo.

Renata Ferreira finaliza: “Olhando pro nosso projeto, a gente está se reinventando, se apoiando, se fortalecendo e comprando mais de nós mesmas, praticando com mais força o “Black Money”. ”