Mulheres do Agreste costuram direitos e Rede Solidária de Produção, Comercialização e Consumo - Elas na Moda

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Mulheres do Agreste costuram direitos e Rede Solidária de Produção, Comercialização e Consumo

03/09/2020


O Projeto RAMÁ, a partir da flexibilização no uso dos recursos possibilitada pelo Fundo Elas, está desenvolvendo uma Ação Coletiva Solidária de enfrentamento aos efeitos socioeconômicos da Covid-19. A decisão permitiu às organizações adequarem a execução de seus projetos para fins de apoio às mulheres em situação de vulnerabilidade e, na opinião da coordenadora Aldenise Coelho, foi extremamente acertada.

Ela conta que a Ação Coletiva Solidária é fruto da articulação em rede com as organizações do “Projeto Vozes da Moda” do Instituto Ethos, DIEESE e Repórter Brasil, que também tem o apoio da Laudes Foundation. A abertura do diálogo permitiu às organizações somarem forças com o projeto “A Moda e as Mulheres do Agreste: Costurando Direitos e Construindo Rede Solidária de Produção Comercialização e Consumo”.

Os dois projetos e suas organizações entenderam que uma ação conjunta poderia promover uma melhor intervenção diante do isolamento social, considerando que boa parte das beneficiárias dos projetos encontra-se no Polo de Confecção do agreste de Pernambuco.

O objetivo inicial do Projeto Ramá era articular as mulheres costureiras do agreste pernambucano, poder público e organizações da sociedade civil para formação de redes e espaços colaborativos, buscando a promoção de melhores condições de trabalho no setor de confecções. O diálogo entre os envolvidos contribuiria para a conscientização e a defesa de direitos fundamentais que proporcionem saúde, acesso ao crédito e aos direitos previdenciários, oferecendo instrumentos concretos para contribuir com o fim das diversas formas de violência contra as mulheres dentro da cadeia da moda.

Atualmente, além das atividades online, o Projeto Ramá está distribuindo cestas básicas e sabonetes fabricados pelas mulheres do agreste para o Kit Proteção entregue a grupos sociais vulneráveis (população de rua, comunidades das periferias, famílias atendidas pelas instituições envolvidas na ação, etc.).

Para não se distanciar da proposta original apresentada ao Fundo Elas. O projeto manteve proposta político-pedagógica, que foi discutida e alinhada com as demais organizações envolvidas. O DIEESE, que é a parceiro comum dos dois projetos, tem sido a principal ponte para o diálogo entre as organizações nessa rede de articulação. Apoiar e fortalecer as mulheres costureiras e artesãs do Polo de Confecção do Agreste e das mulheres da Economia Solidária da Região Metropolitana de Recife frente às dificuldades postas pela pandemia na região com o aumento do desemprego, perda de renda e precarização das condições de trabalho e vida das mulheres é o principal objetivo nesse momento.

Sabe-se que a violência contra as mulheres aumentou durante a pandemia e vincular produção, formação e pesquisa vai possibilitar entender melhor como essa violência ocorre. A violência doméstica soma-se à violência do tempo, pois o trabalho em casa misturou o tempo produtivo e o reprodutivo. Às mulheres apresenta-se um desafio maior na organização do trabalho e suas múltiplas jornadas e da precarização do trabalho.

Já para as organizações envolvidas, o momento exigiu o aprendizado para se adequar às tecnologias de informação e respeitar o tempo das mulheres do polo de produção para seguir com o trabalho online. Os debates entre várias intuições e a realização dos encontros de formação online para discutir trabalho associado, violência contra a mulher, direitos sociais e trabalhistas e pensar o mundo do trabalho mostram que o desafio foi vencido.

As parcerias vão continuar para dar seguimento à pesquisa e as atividades continuam mesmo após a finalização oficial do projeto com o ELAS e a Laudes Foundation. “As mulheres são beneficiárias, mas são parceiras também. Se elas não estivessem envolvidas, nada estava acontecendo. ”, finaliza Aldenise Coelho.

Para compartilhar a felicidade com o resultado do projeto, elas produziram um vídeo-relatório que pode ser visto aqui.