Moda justa, sustentável e feita por mulheres - Elas na Moda

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Moda justa, sustentável e feita por mulheres

11/09/2020


A Associação das Mulheres Guerreiras de Camaragibe, em Pernambuco, decidiu incorporar na produção da moda artesanal já existente entre as mulheres, os conceitos e objetivos de desenvolvimento sustentável. A partir do tingimento natural, passar a produzir de forma eficiente economicamente, responsável ambientalmente e justa socialmente, visando os preceitos da economia solidária, equidade de gênero, inclusão social, sustentabilidade e comércio justo.

O projeto Por nós e pelas outras, juntas pelo fim da violência contra a mulher e por uma produção sustentável promoveu workshop, palestras, cursos de capacitação e estudos da lei Maria da Penha, gênero e feminismo, além de palestra sobre moda sustentável, cursos na área de planejamento, desenvolvimento de coleção e corte e costura. A meta era a produção de 30 novas peças e realizar um desfile de lançamento.

A palestra e os estudos sobre a Lei Maria da Penha, gênero e feminismo trouxeram uma grande reflexão para as participantes e uma conscientização sobre os diversos tipos de violência contra a mulher, como identificá-las e como incentivar o debate entre os diversos grupos de mulheres existentes no município de Camaragibe.

As atividades promovidas pelo grupo trouxeram maior visibilidade para a Associação, que foi convidada a construir e participar, junto com a gestão municipal, da campanha de enfrentamento a violência contra a mulher na cidade, levando para as ruas o “Bloco Carnavalesco Vamos Meter a Colher”.

“Mulheres de bairros mais distantes de Camaragibe se juntaram ao grupo e partilharam suas experiências de costuras, artesanatos e outras vivências. ”, conta a coordenadora do projeto, Ceça Santos.

A facilidade em se adequar proposta de moda sustentável já pode ser percebida nas mudanças na forma de produção tradicional. O projeto tem contribuído para melhoria nas condições de trabalho no que se refere à postura, aos novos modelos de produção, à economia de tecido, entre outras técnicas antes desconhecidas

As alianças e parcerias, além de contribuir para dar visibilidade à Associação Mulheres Guerreiras de Camaragibe, são uma oportunidade de ter na cidade uma produção de roupas 100% feminina, diferente das existentes, aumentando a autoestima das mulheres que fazem parte do projeto.

Com a chegada da pandemia do Covid-19, foi necessário suspender as atividades presenciais, assim como em todos os projetos apoiados pelo Edital ELAS na Moda e Sem Violência, lançado pelo Fundo ELAS e Laudes Foundation. Mas a possibilidade de flexibilização no uso dos recursos permitiu que as Guerreiras de Camaragibe se dedicassem à ajuda emergencial para população de rua, população LGBTQI+ e famílias que sobrevivem no entorno do lixão de Camaragibe.

Em rede de solidariedade com algumas ONGs, entre elas o Coletivo Cara preta, Favela Camarás e o Centro Comunitário Vivendo e Aprendendo, realizaram ações conjuntas, beneficiando cerca de 1.500 famílias que receberam cestas básicas, kits de higiene e limpeza, botijão de gás e máscaras.

Apesar da sobrecarga de trabalho, pois a maioria das mulheres da associação faz parte do grupo de risco e precisou ficar em casa, Ceça Santos conta que “Mesmo com o distanciamento social, esse momento, sem dúvida, foi muito importante para a união e fortalecimento do grupo. ”

Ainda foi possível, com todos os cuidados necessários que o momento exige, realizar a última e mais esperada atividade do projeto, que foi o curso de tingimento natural, fechando com chave de ouro a celebração dos 10 anos de atuação das Mulheres Guerreiras de Camaragibe.