LBTs driblam o vírus e o preconceito para proteger as mulheres - Elas na Moda

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LBTs driblam o vírus e o preconceito para proteger as mulheres

01/09/2020


O GAMI, apoiado pelo edital ELAS na Moda e Sem Violência com o projeto “LBTs na Moda - minha roupa não te dá o direito de me discriminar - enfrentando a violência, a lesbitransfobia e o racismo” se propôs a contribuir com o fortalecimento da população LBT, promovendo qualificação profissional e o enfrentamento ao preconceito, à violência e violação dos direitos, visando a inserção no mercado de trabalho.

Até o início da pandemia, o projeto envolveu indiretamente 1.900 pessoas que vieram de diversas áreas da cidade de Natal, através das campanhas informativas de enfrentamento a violência e ao feminicídio realizadas nas feiras livres, quadras esportivas, praças e outros espaços públicos, usando como ferramentas o esporte e a música, com a percussão do batuque de mulheres, para comunicação do projeto e mobilização social.

O GAMI (Grupo Afirmativo de Mulheres Independentes) tem um forte trabalho em defesa das mulheres no Rio Grande do Norte e acaba de completar, no último dia 29 de agosto, 17 de enfrentamento ao machismo, ao racismo e à lesbofobia. Elas promovem mobilizações, discussões sobre políticas públicas e projetos voltados para o fortalecimento do esporte, cultura e educação popular, com foco em mulheres lésbicas, negras e de periferia.

Maria Goretti Gomes, coordenadora geral do grupo e representante do GAMI no Conselho Municipal de Direitos das Mulheres em Natal, conta que a ferramenta de trabalho escolhida pelo projeto foi o futebol, como forma de denunciar a violência e o feminicídio através de suas roupas em atividades esportivas e culturais.

Mas a ideia inicial foi inviabilizada com as restrições à utilização de espaços públicos, quadras e com as escolas fechadas. Com a chegada da pandemia e a partir da flexibilização no uso dos recursos adotada pelo ELAS, o GAMI ampliou as parcerias e atualmente está atendendo as pessoas necessitadas com distribuição de máscaras, cestas básicas e refeições solidárias.

O desafio imediato apresentado pela pandemia foi trabalhar a distância sem perder o vínculo e a direção. Passaram então a dialogar em grupos menores com mulheres que ficaram desempregadas, já que muitas delas eram trabalhadoras informais. Diante dos relatos de violência até dentro de suas casas, pois o convívio compulsório aumentou a violência, o GAMI produziu vídeos sobre o tema e ampliou a visibilidade.

A divulgação do trabalho nas redes sociais abriu espaço para novas parcerias. Se uniram ao GAMI a Secretaria Municipal da Mulher, a Secretaria Municipal de Assistência Social, o Conselho Municipal dos Direitos da Mulher, o Governo do Estado do Rio Grande do Norte e Programa Mesa Brasil/SESC.

“Somos um grupo pequeno, mas conseguimos envolver as mulheres na confecção de máscaras e alimentação solidária. Driblamos o vírus para que as mulheres fossem beneficiadas e protegidas. ”, conta Goretti Gomes.

Até um “Arraiá Solidário” o grupo promoveu! A distribuição de um kit junino com arroz doce, canjica, paçoca de amendoim, milho cozido e bolo de milho beneficiou e alegrou a festa de São Pedro de 100 mulheres da comunidade da Redinha.

E para celebrar os 17 anos enfrentamento ao machismo, racismo e homofobia no Rio Grande do Norte, o GAMI fez uma live no dia 29 de agosto – Dia da Visibilidade Lésbica. Para assistir, basta clicar aqui: https://youtu.be/ABMPP3_SJtA