Costurando soluções para o enfrentamento à violência - Elas na Moda

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Costurando soluções para o enfrentamento à violência

08/03/2020


ImageTransformar experiências de vida em força e resistência. Esse é o objetivo das Rodas de Warmis, coordenadas pelo CEMIR - Centro da Mulher Imigrante e Refugiada, e organizadas com o apoio de lideranças das comunidades de imigrantes.

A palavra warmis em quéchua significa mulher. As Rodas buscam dar voz e visibilidade às mulheres, estimulando a construção da autonomia por meio do diálogo e da reflexão para a ação. O CEMIR realiza as rodas warmins em bairros da cidade de São Paulo onde há presença significativa de imigrantes. Estima-se que no estado de São Paulo existem aproximadamente um milhão de imigrantes informais, principalmente as de origem boliviana, dos quais mais da metade são mulheres e 43% estão inseridas no setor de confecção de roupas.

As participantes das Rodas Warmis trabalham em oficinas de costura, quase sempre em situação degradante, com jornadas de trabalho exaustivas, de 14 a 16 horas diárias, recebendo salários de cerca de setecentos a mil reais por mês, invisibilizadas pela situação migratória irregular, vivendo, frequentemente, em contextos de discriminação e opressão, enfrentando dificuldades em relação ao idioma e ao desconhecimento de direitos, precariamente inseridas na sociedade que as deveria acolher.

ImageDiante de tantas adversidades, falar de si mesmas e poder ouvir as demais são passos importantes para a sair do isolamento.

Os primeiros encontros coincidiram com a realização da Copa do Mundo de Futebol Feminino na França, em junho de 2019 - o que acabou criando um clima favorável para a abordagem da discriminação de gênero a partir do futebol.

ImageUm quadrangular de futebol feminino contou com a participação de times dos bairros e houve uma grande Roda Warmis em seguida, onde foi possível refletir sobre as violências das quais são vítimas as mulheres imigrantes e sobre como elas vêm superando essas violências. Os serviços de proteção existentes nos bairros e a Lei Maria da Penha também fizeram parte da Roda.

ImageMas as atividades do CEMIR não pararam por aí. Utilizando a arpillería - uma técnica de arte têxtil, feita em tecido de juta, com retalhos de pano costurados e bordados à mão – foram realizadas oficinas com as imigrantes costureiras bolivianas.

A arpillería remete à tradição da cultura popular do Chile, entre coletivos de costureiras e bordadeiras, que contavam histórias de vida por meio desta arte. A cantora, compositora e folclorista chilena Violeta Parra foi quem começou a divulgar a técnica no período que viveu na Europa.

Durante a ditadura militar do Chile, nos idos de 1973, as mulheres teceram narrativas sobre a violação dos direitos humanos e chamaram a atenção do mundo divulgando o que estava acontecendo. Este movimento gerou uma pressão internacional da imprensa e fortaleceu a resistência política popular interna, contribuindo para a derrubada da ditadura em 1990.

Nas oficinas de arpillería do CEMIR – 6 encontros de outubro a dezembro a 2019 - foram trabalhados conteúdos que emergiram nas rodas de tecer, como as memórias das suas origens, os impactos da adaptação na condição de imigrantes nos níveis pessoal, profissional e comunitário. As trocas com as arpilleras possibilitaram discutir questões sociais, políticas, pessoais, as histórias, angústias, as preocupações, os medos, os sonhos e esperanças.

ImageE mal começou o ano de 2020, representantes feministas imigrantes do Centro da Mulher Imigrante e Refugiada CEMIR estiveram em Goiânia compartilhando experiências com mulheres do Movimento Camponês Popular de Goiás. A arpillería foi a técnica usada no encontro, cuja riqueza foi o diálogo entre imigrantes e camponesas em busca de estratégias para enfrentar a violência contra a mulher em comunidades rurais.

O mês de fevereiro não foi menos intenso. A campanha do CEMIR “Direito ao Trabalho Digno para as Mulheres Imigrantes! Não Somos Escravos!  Não à Violência contra a Mulher!”  levou lideranças femininas imigrantes de cinco bairros da periferia de São Paulo para o MASP da Avenida Paulista no dia 16 de fevereiro.

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No dia 18 do mesmo mês foi a vez da aula As Mulheres no Mundo Lá e Cá, no Projeto Portas Abertas aos Imigrantes e Refugiadas da PUC – SP.  O estreitamento da relação com a universidade permitiu a construção de parcerias e apoio futuro no atendimento jurídico e na orientação na regularização migratória.

E como março é o mês da mulher, é fundamental ressaltar que a migração tem hoje rosto de mulher, já que do total de imigrantes – regularizados ou não - aproximadamente 53% são do sexo feminino.

ImageO Seminário Direitos Humanos: Mulheres Imigrantes e Refugiadas costurando estratégias para o enfrentamento das violências, programado pelo CEMIR para acontecer no dia 28 de março também com apoio do ELAS na Moda e Sem Violência, na Câmara Municipal de São Paulo, para construir estratégias coletivas e articular ações com redes de apoio e mecanismos de proteção para o enfrentamento às violências sofridas pelas mulheres imigrantes e refugiadas precisou ser adiado devido às recomendações de combate às contaminações do COVID-19. Uma nova data deve ser divulgada quando houver segurança para a realização do evento.

 

Quer saber mais sobre os alinhavos e costuras do CEMIR?

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