A moda costurando direitos para mulheres trans e travestis - Elas na Moda

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A moda costurando direitos para mulheres trans e travestis

16/09/2020


Reduzir o índice de violência de gênero contra mulheres transexuais e travestis, fortalecer o ativismo sócio político das mulheres travestis e transexuais das periferias da região metropolitana do Recife na luta pelos Direitos Humanos e propiciar a geração de trabalho e renda para essas mulheres.  Esse foi o objetivo do projeto Respeito à Diversidade e Diversidade Sempre na Moda da AMOTRANS-PE (Articulação e Movimento para Travestis e Transexuais de Pernambuco)

O projeto apoiado pelo ELAS e Laudes Foundatin no Edital ELAS na Moda e Sem Violência foi uma oportunidade para a AMOTRANS-PE fortalecer a autoestima dessas mulheres “que foram violentadas por todas vida por serem transexuais e travestis, e que viram a possibilidade de se destacar para além da prostituição. ”, conta a coordenadora do projeto Chopelly Glaudystton.

A partir das atividades realizadas nas oficinas de customização, elas foram estimuladas a trabalhar customizar roupas antigas a fim de buscar sua autonomia e subsistência e a atuar no campo de vendas desses produtos.

O projeto realizou 4 encontros presenciais entre março e julho, sempre respeitando as recomendações da OMS, e mais 6 encontros virtuais. E o resultado foram 30 Mulheres capacitadas na arte de customização de roupas antigas, com técnicas de comercialização do material customizado. As participantes vendiam as roupas produzidas por elas online, como forma de sobrevivência durante a PANDEMIA do Covid -19.

Nesse período, a AMOTRANS-PE inaugurou sua Sede. Lá, com toda estrutura necessária, foi possível atender melhor as participantes e colaboradoras diante dos impactos do COVID -19.

A partir do projeto, duas campanhas de empregabilidade organizadas pela Coordenadoria LGBT do Governo do Estado de Pernambuco para Mulheres Travestis e Transexuais com empresas na indústria da moda ampliaram a absorção das beneficiárias na cadeia da moda.

Também Prefeituras Municipais, a partir de desfiles realizados pela AMOTRANS-PE antes da pandemia do Covid-19, iniciaram o processo junto a algumas cooperativas com mulheres trans. A partir dessas parcerias, o projeto comemora o fato de hoje ter mulheres travestis e transexuais empregadas.

Paralelamente às atividades de formação para o mercado de trabalho, também foi ofertada terapia psicológica para todas as participantes.

A pandemia afetou a execução do projeto e foi preciso criar novas formas via redes sociais para garantir a execução. Com a flexibilização no uso dos recursos possibilitada pelo ELAS, puderam realocar recursos para compra de cestas básicas, vale gás, kis de higiene pessoal, e aprofundaram a terapia psicológica, que se fez ainda mais necessária.

Apesar das dificuldades, Chopelly Glaudystton demonstra satisfação com o resultado: “Nossas mulheres viviam exclusivamente da prostituição, hoje elas têm outra perspectiva de vida.”